
© google
« A liderança do FC Porto é sempre um mistério que Lisboa não consegue entender. »
MANUEL CARVALHO
in http://www.ojogo.pt
caríssima(o),
efectivamente, porque após o encontro de Vila do Conde, o meu FC Porto regressou à liderança isolada do Campeonato - para mim, o seu lugar natural nas últimas duas épocas -, precisamente 463 [quatrocentos e sessenta e três] dias depois de ter usufruído pela última vez do primeiro lugar sem companhia, apareceram as vozes discordantes. só assim se compreende o desabafo que encima este ‘post‘ e ao qual uno a minha “voz”.
e que vozes discordantes são aquelas?
são precisamente as que se socorrem dessa figura enigmática que é «o Sistema» para justificarem as vitórias do FC Porto e, por inerência, as derrotas dos seus clubes. para elas, é sempre mais fácil e bem mais cómodo apontar defeitos (por via da maledicência e da calúnia) ao adversário do que reconhecer os seus próprios erros.
bem sei que pertenço à colheita de 1975, pelo que sou um miúdo comparado com muitos de vós, que têm a paciência de me ler. mas já estou a ficar farto de tal estafado argumento. e de que o Presidente Pinto da Costa tem todos os árbitros comprados e que o meu clube é uma cambada de «corruptos». como se o clube daquelas vozes discordantes fosse o paradigma da Perfeição.
para que fique bem claro, repito o que já aqui escrevi porque é a minha mais firme convicção: «“atirar pedras ao telhado do Vizinho” é um sério risco, tendo em consideração os “telhados de vidro” que existem e persistem em TODOS os clubes ».
relativamente a esta jornada, a sustentação da tese da cabala, que justifica a posição cimeira e destacada do FC Porto, assenta em duas premissas; a saber:
1) o primeiro golo do FC Porto é precedido de dupla falta (!), ambas de Falcao - a primeira, sobre o central do Rio Ave na procura de espaço para disputar a bola; uma segunda, após o remate do Hulk, «atrapalhando» o guarda-redes vilacondense;
2) aos 39′ Álvaro Pereira fez falta sobre Tarantini passível de grande penalidade.
pois bem.
não sou nenhum especialista em questões de arbitragem, nem pretendo sê-lo neste meu desabafo. só espero que o jogo seja analisado com o máximo de imparcialidade possível, pese as lentes dos meus “óculos” serem um pouco mais azuis do que o normal. assim:
a) sobre o lance do primeiro golo não vislumbro qualquer falta do nosso ponta-de-lança, no sentido em que (i) nem com um escadote, o central do Rio Ave conseguiria disputar o centro do Palito e (ii) só com muita imaginação é que o guarda-redes Mário Felgueiras pode afirmar que o Falcao o «perturbou na sua acção». o que lhe terá «perturbado» foi o facto de ter deixado escapar o remate de Hulk por debaixo do seu corpo;
b) no lance do hipotético penalty - que existiu, de facto, pois o Palito cometeu duas entradas a fazer lembrar as do David Luíz ao longo de todo um campeonato (mas sem o sangue que envolve as do central brasileiro) - as vozes discordantes “esquecem-se” de um pormenor importante e que faz toda a diferença: o jogador do Rio Ave que se prepara para receber o cruzamento, próximo do vértice direito da grande área portista, está em claro fora-de-jogo. portanto, tudo o que daí adveio deve ser considerado improcedente, «penso eu de que».
no entanto, não deixa de ser assaz curioso que as mesmas vozes discordantes, ainda sobre o mesmo encontro, não encontrem argumentos que refutem a minha firme convicção de que os jogadores do FC Porto estão a ser alvo de entradas (no mínimo) ríspidas. não vou afirmar que os adversários o fazem de propósito, como acontece, por exemplo, com o Carlos Martins e mais recentemente, o Cardozo, mas felizmente que o Sereno ainda não foi convocado, ou então teríamos muito que contar.
como resultado prático daquelas entradas mais “rasgadinhas”, desta feita “a fava” saiu a Sapunaru. mas também Hulk, Fernando e João Moutinho sentiram na canela - no caso do Incrível foi mesmo no joelho - o quanto os seus adversários confundem a bola com os seus mágicos pés. são mesmo toscos, estes nossos adversários; fazem lembrar o Magnusson. penso que aquelas vozes discordantes considerarão que é mais um efeito da Jabulani, certamente - que é demasiado rápida nos pés dos virtuosos jogadores portistas. é!, deve ser isso mesmo.
já agora e porque estive a (re)ver os lances polémicos dos jogos daquelas vozes discordantes, duas perguntas de algibeira em que a única resposta válida é SIM ou NÃO:
1) no lance do primeiro golo do Sporting CP, o Levezinho está ou não em situação de fora-de-jogo quando é solicitado pelo Djalo?
2) no jogo do SL Benfica, houve ou não um atraso deliberado de Luisão para o (entretanto bestial) Roberto, após a grande penalidade desperdiçada pelo Vitória de Setúbal?
por último, lastimo que toda a Comunicação Social alinhe no diapasão das vozes discordantes, sendo o seu megafone predilecto. e que persista numa linha editorial que assenta na omissão de lances capitais, por forma a sustentar a velha máxima de que «se não passou na TV, então é porque não existiu».
numa palavra: lastimável. e nojento, também, porque abjecto. e revelador do profissionalismo de muitos dos jornalistas da nossa praça, que não conseguem despir a camisola, quanto mais retirar o cachecol que levam ao pescoço quando vão comentar os jogos para que são escalonados - e que deveriam pugnar por um valor que dá pelo nome de “Isenção”.
em suma: são uns tristes, aquelas vozes discordantes. fazem lembrar os velhotes dos saudosos Marretas, sempre a discordar de tudo e de nada, por tudo e por nada e sem saberem (sequer!) o porquê de estarem lado a lado numa tribuna.
beijinhos e abraços!
e MUITO OBRIGADO! pela TUA visita 